O Banco: Metáfora Transdisciplinar

Esta foi a única foto que fiz do encontro, a de um banco. E ainda, com uma máquina emprestada, pois eu, se quer, havia levado uma.

Curioso, não?

        Eu estava ali pelas pessoas e guardei como recordação do evento apenas a foto de um banco vazio. 

        É preciso que se diga que aquele era um banco especial, pois estava literalmente no meio do caminho. Não estava recuado num canto, como seria de se esperar que um banco estivesse, pois o local possuía todas as condições para isso.         Não.

        Ele estava bem ali, bem no meio da trilha, quase atrapalhando a passagem.

        Aliás, tratava-se de uma trilha relativamente curta.

        Penso que as pessoas entrem numa trilha para caminhar, não para sentar, muito menos num banco, que não esperam encontrar no meio de uma trilha.

        Um verdadeiro paradoxo!

        Mas, o que é mais paradoxal?

        Eu não ter fotografado ninguém, ou ter um banco no meio da trilha?

        Devo dizer que foi um banco bem disputado, pois todos que por ali passaram, queriam dar uma sentadinha nele. O que parece explicar o porque do banco estar ali. Confesso que não sentei, embora quisesse fazê-lo. Eu só o fotografei com uma máquina emprestada, pois eu se quer havia levado uma…

        Eu queria fotografá-lo sozinho. E consegui. Não foi difícil, não.

        O interessante é que, uma pessoa que não saiba desta história, ao olhar essa foto, pode ter uma compreensão completamente diferente da realidade do banco naquele momento. Certamente vai achar que se tratava apenas de um banco solitário. Não irá dimensionar que se trata da foto de banco no meio de uma trilha, feita com uma máquina emprestada, como recordação de um evento, cheio de pessoas, pelas quais o fotografo estava presente, e que não foram fotografadas, embora estivessem percorrendo a trilha, apenas alguns poucos metros à frente do fotógrafo.

        Então me pergunto: Essa seria uma percepção verdadeira?

        Na verdade do fotografo as pessoas, barulhentas, estavam só há alguns poucos passos à frente, ou atrás dele.

        Na verdade daquele que vê a foto, há apenas o silêncio por ela sugerido… Aliás, uma foto é obrigatoriamente silenciosa, senão não seria foto, e sim filme.

        Mas, por que o fotógrafo fotografou um banco vazio, se havia pessoas que podiam ter sido fotografadas sentadas no banco?     

        Um banco no meio de uma trilha quase que obriga o caminhante a sentar. Aliás, pelo que bem me lembro, o banco estava quase no final da trilha que, por sinal, tinha um ponto de ônibus (com um banco) em seu início… Assim, alguns optam por sentar no banco do começo da trilha. Esperar o ônibus e não fazer a trilha. Outros optaram por entrar na trilha sem tomar o ônibus, caminhar e sentar no banco do final da trilha… Embora inicialmente ninguém pudesse imaginar que haveria um banco no começo e outro no final da trilha. E muito menos, que esse banco seria fotografado vazio, e que alguém pudesse contar uma história sobre a foto de um banco vazio meio da trilha.

        Nossa!

        Pode parecer contraditório, mas não é. Se você quiser sentar num banco para fazer a trilha ele estará lá, a sua disposição, um no começo, e outro no final da trilha. Tudo muito simples e bem organizado. 

        Mas, será que encontrar e sentar num banco no meio da trilha não seria contrário ao propósito da trilha? Ao acaso seria um desafio sagrado pelo qual os caminhantes deveriam passar?

        Pelo amor de Deus! Que coisa mais sem lógica! Como alguém pode colocar um banco no meio de uma trilha? Como pode alguém querer fotografá-lo vazio, e o que é pior, como pode se propor e escrever uma história confusa sobre o vazio de um banco encontrado no meio de uma trilha?

        Muito bem, no meio da trilha havia um banco, não no canto – como já afirmei – que, pela lógica, seria o lugar mais adequado para ele.  Embora não fosse esperado encontrar um banco ali, no meio da trilha. Veja bem, no meio, ele estava lá.

        Talvez sentar no banco  pudesse dar uma sensação de encerrar a trilha sem tê-la trilhado.  Ou passar pelo banco sem nele sentar pudesse dar a sensação de que o banco não existia, pois a trilha seria encerrada sem que a pessoa tivesse a oportunidade de sentar no banco.

    Mas, o fato é que, o banco estava lá, no meio da trilha…

 

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